Imagine que você contratou o vendedor mais inteligente do mundo. Ele conhece milhões de pessoas, sabe o que cada uma quer, entende de tudo. Você paga caro, dá um orçamento gordo, e no fim do mês pergunta: "E aí, para quem você vendeu? O que funcionou?". E ele responde: "Não sei te dizer."
Frustrante, não é? Pois foi exatamente isso que aconteceu quando testei o ChatGPT Ads com quase R$400 do meu próprio dinheiro. E antes que você jogue verba nessa nova mídia, deixa eu te contar o que descobri ao vivo, analisando as campanhas de verdade.
ChatGPT Ads vale a pena hoje? A resposta direta
Por enquanto, não para o anunciante comum. No meu teste real, o ChatGPT Ads entregou um CPC (custo por clique) de R$10,58, um relatório de dados extremamente pobre e — o mais grave — tráfego sujo: nenhum dos 33 cliques ficou mais de 1 segundo no site.
Ou seja: paguei R$400, não tive informação nenhuma para otimizar, e o pouco de gente que clicou saiu na mesma hora. Para mim, que gravo aulas e vivo de ensinar tráfego pago, esse dinheiro foi investimento em aprendizado. Para você, anunciante que quer vender, seria verba jogada fora.
Mas calma. A história tem nuances importantes — e é por isso que você precisa ler até o fim antes de tirar suas conclusões.
Primeiro: o ChatGPT Ads já está liberado no Brasil
Uma novidade rápida. Entre eu gravar meu primeiro vídeo sobre o tema e publicá-lo, a plataforma liberou o cadastro geral para o Brasil.
Eu mesmo fiz o teste: criei uma conta nova do zero, direto pela OpenAI, cadastrei como Brasil, cadastrei CNPJ, e funcionou sem problema. Então, se você ainda não tem conta, já pode criar e começar a usar de maneira simples.
NOTA: o processo de configuração é praticamente idêntico ao Google Ads. Criar conversões, gerar um pixel, configurar campanha — eles copiaram o fluxo lindamente. Quem já sabe rodar Google Ads não terá dificuldade nenhuma de operar aqui.
Como montei o teste: duas campanhas em "público automático"
Deixa eu ser mais claro sobre o que fiz, porque a metodologia importa para você entender o resultado.
Criei duas campanhas e, nas duas, deixei o que chamo de público automático. Quando você cria uma campanha no ChatGPT Ads, a plataforma pergunta se você quer dar uma descrição do seu público. Eu não coloquei nada.
Por quê? Porque eu quis testar a capacidade do ChatGPT de, apenas pela URL do meu site, entender sozinho quem é o meu público, definir palavras-chave e criar anúncios.
E aqui está minha aposta pessoal: eu uso muito o ChatGPT justamente para isso. A partir de uma URL, ele entende público, sugere palavra-chave, escreve anúncio — e funciona muito bem nessa função. Então minha expectativa era alta. Guarde essa expectativa, porque ela é o coração da decepção que vou te contar.
Os números reais da campanha
Das duas campanhas, apenas uma rodou de fato. Seguem os números crus:
- Investimento: R$352
- Cliques: 33
- CPC médio: R$10,58
- Tendência do CPC: começou em R$5, foi para R$9, depois R$13
- CTR: em queda ao longo do período
A sugestão de lance da própria plataforma era de quase R$14 por clique. Eu testei perto disso e o CPC médio se acomodou em R$10 salgado. Traduzindo para a realidade brasileira: é um clique caro.
E o CPC subindo rápido com o CTR caindo pode indicar uma avalanche de anunciantes entrando ao mesmo tempo, disputando o mesmo espaço. É especulação, mas é um sinal que você deve observar.
O problema 1: você não consegue saber quase nada
Aqui está a primeira grande decepção. Você clica na campanha querendo saber o básico:
- Onde meu anúncio apareceu?
- Houve alguma intenção de busca por trás?
- Para quem, exatamente, ele mostrou meu anúncio?
E a resposta para tudo é: você não descobre. O relatório de sites é pobríssimo. A segmentação te mostra basicamente dispositivo e país. Dá para editar colunas com as métricas principais — mais uma cópia das ferramentas consagradas —, mas é tão pobre quanto o resto.
Eu não sei para quem ele mostra. Não sei com base em que ele decide mostrar. É uma caixa-preta. Um "Andrômeda", como chamamos aquele algoritmo que decide tudo sozinho e não te dá satisfação.
Por que isso me irrita especialmente no ChatGPT?
Viaje comigo neste raciocínio. O ChatGPT Ads é uma mídia que já nasce 100% na era da inteligência artificial. Ele é fruto de uma IA. Enquanto o Google corre atrás para se adaptar, o ChatGPT já nasceu ali.
Então me responde: para quem usa massivamente o ChatGPT no dia a dia, ele sabe muito mais sobre você do que o Google sabe, concorda? Ele tem o poder de entregar informações absurdamente ricas ao anunciante.
Só que ele não entregou nada. E é aí que dói. A mídia que tinha a maior capacidade de me dar dados é justamente a que menos me dá. Percebe a ironia?
O problema 2 (o mais grave): tráfego extremamente sujo
Esse aqui é o alerta vermelho. E é a razão de eu ter escrito este artigo.
ALERTA: o relatório da plataforma diz que tive 33 cliques. Como sou um usuário mais avançado, fui até o Google Analytics do site dessa campanha e analisei o tempo de acesso desses 33 cliques.
O resultado? Nenhum ficou mais de 1 segundo no site. Nenhum.
Isso é o que chamamos de tráfego sujo. Gente que clica e some no mesmo instante, sem nem carregar a página direito. Praticamente R$400 jogados fora.
E não me venha com a desculpa de que "é problema de performance do site". Não é. Eu tenho 80 a 85% de connect rate em outras mídias de tráfego — ou seja, quando o clique vem qualificado, ele fica. O problema não está na minha página. Está na qualidade do que a plataforma me mandou.
A lição de ouro deste teste
Repare no que aconteceu: sem o Google Analytics instalado, eu jamais saberia que o tráfego era lixo. A própria plataforma me mostrava 33 cliques com cara de sucesso.
Aqui está o comando que quero te deixar: instale o Google Analytics em todos os seus sites, sempre. Não confie cegamente no relatório de nenhuma mídia. A plataforma te conta a história que ela quer contar. O Analytics te conta a verdade sobre o comportamento real de quem chegou.
Quanto mais você mede por conta própria, mais enxerga onde o dinheiro está escapando. Quanto menos você mede, mais você paga por número bonito que não vira cliente.
Então o ChatGPT Ads é uma furada? Não tão rápido
Deixa eu ser justo. Duas coisas seguram meu otimismo:
- 1. É muito cedo. Estamos nos primeiros dias da plataforma no Brasil. O relatório pobre de hoje pode ser o relatório rico de amanhã. É mais um relatório de tendências do que de insights — por enquanto.
- 2. Eu não testei tudo. Deixei público no automático de propósito. Ainda dá para criar novos criativos (a plataforma pede muitos) e, principalmente, dá para colocar direcionamento de público manual — o equivalente a domar o Andrômeda.
Então o próximo passo do meu teste já está definido: vou clonar essas duas campanhas com direcionamento de público manual e comparar. Talvez o tráfego sujo seja consequência de eu ter deixado a máquina escolher sozinha. Talvez não. Por enquanto, está no campo do "acredito" — e você sabe que eu não gosto de decidir com base em achismo.
O que fazer com o ChatGPT Ads hoje (recomendação prática)
Recapitulando o que este teste te ensinou:
- Se você é anunciante buscando venda agora: segure a verba. CPC alto, dados pobres e tráfego sujo não formam uma boa combinação. Espere a plataforma amadurecer.
- Se você é profissional de tráfego querendo aprender: vale investir um valor pequeno e controlado para conhecer a ferramenta antes da concorrência. Mas trate como laboratório, não como fonte de faturamento.
- Em qualquer cenário: instale o Google Analytics e meça o tráfego por fora. Sempre.
Marketing é uma construção, não um clique de R$10 numa mídia nova e brilhante. A promessa da tecnologia é linda, mas quem paga a conta é você — então cabe a você medir, testar e decidir com dados na mão.
Eu vou continuar testando e volto com os resultados do direcionamento manual. Enquanto isso, me diz nos comentários: você já testou o ChatGPT Ads? O que funcionou e o que não funcionou para você? Vamos transformar isso numa grande troca — porque testar sozinho é caro, mas testar juntos sai muito mais barato.